Buscar
  • Igreja Batista Mineira

Os desafios da igreja na atualidade

Atualizado: 19 de Nov de 2019

por José Marcelo Fernandes Domingos



Usando a idéia do rabino, Abraham Joshua Heschel, citado por Brennan Manning, em seu excelente livro “O Evangelho Maltrapilho”, diria que o maior desafio da igreja na atualidade, é voltar ao assombro. Isso mesmo!


“De modo geral, o mundo perdeu o senso e a capacidade de assombro, e a igreja de Cristo, por sua vez, também o perdeu”.


Já não nos assombramos! Já não perdemos o fôlego diante de um Arco-íris, ou de um canarinho a cantar, o pôr do sol no horizonte da Belo Horizonte não nos toca, a “necessidade do necessitado” não agride a nossa consciência, não compramos lenços, pois não choramos mais, não reivindicamos, pois não lutamos, nem mais gritamos, acabou a voz e calaram-se os profetas, deixamos, inclusive, de nos ajoelharmos, como antes...


O que aconteceu? Manning responde: “Crescemos! Ficamos maiores e todo o resto ficou menor, menos impressionante. Tornamo-nos apáticos, sofisticados, cheios de sabedoria do mundo”. A criatura tornou-se maior que o criador. Transformamo-nos numa elite, para não dizer, burguesia eclesiástica, detentores dos meios de produção do “entretenimento gospel” e na maioria das vezes, do lucro da produção. À medida que a civilização avança, e a igreja cresce e agrega novos métodos e valores, o senso de assombro declina. Senão nos assombramos: não oramos, não cremos...


Para quê? Se o que é certo é o que da certo!? Ficamos tão preocupados conosco, com as palavras que falamos, com os planos e projetos que concebemos, com a ditadura da beleza, com a guerra do crescimento, com os números e as cifras, que nos tornamos imunes a glória da criação. Mal notamos a plasticidade do orvalho, nem percebemos as estrelas do céu, ignoramos o assovio, que estranho; de repente, descubro isso também, não temos assoviado.


Estamos tão acostumados ao embalo do embalado que nunca paramos para pensar que o que está na embalagem, brotou da terra, nasceu pela liberalidade e bondade da criação de Deus. Acostumamos com as transformações ordinárias e comuns, porque o discurso diz que só vale o extraordinário e o sobrenatural, esquecendo-se dos notáveis pais da fé que vislumbravam o novo e o grande num simples musgo que crescia pela manhã depois de uma noite chuvosa.


Desdenhamos das conversões, usurpamos a ação livre do Espírito Santo e a subjugamos a um emaranhado de estratégias, como que o vento fosse prisioneiro dele mesmo, esquecendo-nos que ele é livre e por isso, sopra onde quer. Perdemos a experiência do assombro, da contemplação e da maravilha.


Igreja! Voltemos ao assombro, eis o nosso maior desafio! Voltar a chorar, a amar, a adorar, a meditar, a lutar, voltar à simplicidade, simplesmente, voltar. E, nesse exercício livre da fé, experimentar no ardor das fornalhas, nos fios das navalhas, nos vales sombrios e escuros, nos pântanos e lamaçais, a maravilhosa e inefável graça de Cristo. Com assombro.

24 visualizações
Igreja
Batista
MineirA

batistamineira@gmail.com

 

Rua Piauí, 1045 - Funcionários

Belo Horizonte / MG

CEP 30150-321

  • White Instagram Icon
  • White YouTube Icon
  • White Facebook Icon

@2019 - Site desenvolvido por JP | Designer